Um belo dia, estava navegando pelo Youtube, encontrei um vídeo do aiporT com um desafio e com uma mensagem de que a melhor forma de aprender, é fazendo, fazendo e fazendo.

E com isso, decidi escrever um pouco sobre a minha jornada e um pouco da minha reflexão sobre o Perfeccionismo e sobre a Simplicidade, pela primeira vez, fazendo um post nesse estilo.

Do começo

Eu, como um detalhista, sempre tive um certo problema com o malfadado perfeccionismo, e isso acaba me atrapalhando muito em algumas coisas que eu vou fazer. Porém, acabei descobrindo que:

É sempre melhor feito do que perfeito.

Sheryl Sandberg

E tive duas situações em que me fizeram pensar bastante nessa frase, uma em 2016, quando estava quase desistindo de desenhar e outra bem recentemente, enquanto eu estava fazendo a referência do Romeo, que eu estava bem insatisfeito com os desenhos.

Round 1: 2016, quando estava quase desistindo

Em 2016, estava quase desistindo desenhos, quase jogando a toalha. E eu não estava satisfeito com o meu traço e estava com um bloqueio criativo descomunal.

E assim foi, até que em um certo dia, eu estava navegando pelo Facebook, e no meio de um mar de posts, encontrei um artigo do site Mundo Raiam sobre isso.

Vasos, vasos e mais vasos

E nesse artigo, uma parte sobre um estudo de caso me chamou bastante atenção:

Numa parte do Art & Fear, o autor fala sobre um case-study de um professor de arte lá dos Estados Unidos que decidiu fazer um “experimento social” dentro de sua aula de argila.

Ele pegou a turma e dividiu ela em dois grupos.

No primeiro grupo, a ordem era a seguinte:

“Vocês têm 3 meses para entregar o melhor vaso de argila possível. Sua nota depende da qualidade dessa vaso”

Com esse primeiro grupo, o foco era na obra-prima, no detalhe, na perfeição.

Com o resto do pessoal, ele decidiu inovar um pouquinho:

“Vocês têm 3 meses para entregar 20 quilos de vasos de argila. Não importa se os vasos estiverem feios ou bonitos. Se você chegar me entregar 20 quilos de arte, você vai receber a nota máxima e ponto final”.

Passou 3 meses, ele distribuiu as notas e teve a seguinte conclusão: todas as “obras-primas” vieram do grupo dos 20 quilos. 

A Lei dos 20 Quilos: como curar a doença do perfeccionismo? (Por Raiam Santos)

Como que os melhores vasos vieram de quem tinha quantidade em mente? Para fazer 20 kg de vasos, aquele grupo tinha que trabalhar dia sim, e dia também, fazer vasos e mais vasos e literalmente colocar a mão na massa.

E o que acontece quando você faz algo constantemente e repetindo mais e mais? Você melhora aos poucos. E aos poucos vai alcançando a maestria no que você está fazendo.

E o que acontece quando você a mentalidade de “eu preciso criar o vaso perfeito”? Insegurança, Ansiedade, Bloqueio Criativo e o trabalho não sair do jeito que você queria.

Desenhos, desenhos e mais desenhos

E fiquei pensando bastante nesse artigo do Mundo Raiam, e comecei a colocar a mão na massa e desenhar, desenhar e desenhar.

E em 2017, tentei impor um desafio a mim mesmo, o Desafio Desenho Todo Dia (DDTD), que simplesmente foi um fracasso (Foram 41 desenhos em 4 meses), e somente quando comecei o Cantinho do Romeo, que comecei a desenhar mais e mais. E no final, foram 225 desenhos feitos somente nesse ano.

Mas foi em 2018, a minha maior evolução, que onde eu abandonei grande parte do perfeccionismo e comecei a realmente desenhar e postar dia sim, e dia também.

Assim, tive uma evolução bem sensível em meu traço, saindo de um traço um tanto parecido com o de 2016 para um traço que começou a ser único e bem mais próximo ao meu traço atual.

E em 2018, foram 425 desenhos. Ou seja, fazendo as contas, fiz mais de um desenho por dia. Desenhando dia sim, e dia também.

E em 2019, não tive tanta evolução nos desenhos, mas foi simplesmente o encontro com um estilo que simplesmente amei desenhar: O estilo Kemono.

Round 2: Referência do Romeo

E depois de ter mudado de estilo em 2019, tive que fazer outra referência do Romeo. E depois de duas referências seguidas (A o Minky e a do Hideo), foi a vez do Romeo, e para ele, eu queria fazer a referência mais completa que eu já havia feito e inclusive uma referência impressa.

Porém, quando fui fazer a referência, nenhum dos desenhos que eu estava fazendo, estava me agradando. A referência já estava em 5 partes, praticamente não havia saído da estaca zero e não sabia mais o que fazer, nisso acabei dando uma pausa e indo para outros projetos.

E acabou que fiquei umas boas semanas sem mexer na referência, envolvido em outros projetos (tanto o desenho para a BFF Night quanto para o #chillplushie2020).

E no final desses dois projetos, quando voltei a mexer na referência, eu estava num período mais introspectivo e mergulhado dentro de mim, pensando sobre algumas coisas da minha própria vida, até que me veio um vídeo do Matosu falando justamente sobre o Perfeccionismo.

E esse vídeo me deixou pensando muito sobre como o meu perfeccionismo estava me atrapalhando. E depois desse me veio outro vídeo do Matosu sobre a Simplicidade.

E esse vídeo me deixou pensando sobre a própria trajetória do Cantinho. Eu comecei como um artista com um traço simples e bem carismático, e conforme o Cantinho foi crescendo, eu me sentia na pressão de fazer desenhos que fossem mais detalhados, e sinto que os desenhos acabaram perdendo um pouco da simplicidade do início.

E conforme observado pelo Rommck, no “Diagnóstico Artístico de um Herói #02” no final de 2017:

Romeu (sic) investe na simplicidade das personagens e na boa separação das formas, com um toque suave de carisma que expõe o seu traço consistente e suas linhas destacadas, não podendo delimitar seu estilo apenas como cartoon, mas também como uma mescla de outros gêneros, mas com menor influência, podendo ser caracterizado também como: chibi, mangá, infantil e otimista

Diagnóstico Artístico de um Herói #02 (Por ROMMCK)

Conclusão

E com isso tudo, vi que não tinha problema em fazer algo mais simples, pois é parte da essência do Cantinho. Eu não preciso me superar, não preciso fazer algo perfeito e nem me cobrar demais, pois isso apenas me fará ter uma dificuldade enorme de criar, e é com os erros que aprendemos.

E foi desenhando dia sim e dia também, que o meu traço evoluiu, e principalmente, me inspirando em pessoas que já estão nas artes há muito mais tempo que eu, e foi fazendo, estudando e olhando os erros que os outros artistas conseguiram chegar onde eles estão hoje em dia.

Ou seja: Tentar, Errar e Aprender, faz parte. E também, é sempre melhor feito do que perfeito.

E “é sempre melhor feito do que perfeito“, não é sinônimo de um trabalho mal-feito, mas sim, se arriscar a colocar em prática novos projetos, mesmo que não saiam perfeitos, e assim indo aprendendo o que fazer e o que não fazer, e principalmente, como fazer.

E se for fazer algo, comece. Simplesmente isso. Se não vai ficar perfeito, não desista, isso será um aprendizado.

Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder.

Arthur Ashe

Comentem e Compartilhem!

E contem aí nos comentários, as suas experiências e as suas opiniões sobre o Perfeccionismo e a Simplicidade.


Romeo, o Coelhoposa

Meu nome é Guilherme de Oliveira, mais conhecido por Romeo. Sou desenhista e amo animação. Felicidade não é o fim, mas apenas o caminho!

0 comentário

Deixe seu comentário!

%d blogueiros gostam disto: